domingo, 15 de agosto de 2010

Pílula dos 5 dias




Num país onde o aborto é proibido, mas milhares de mulheres morrem por complicações de abortos em clínicas clandestinas, a notícia da possibilidade de mais uma alternativa para evitar uma gravidez indesejada, é sempre bem-vinda. Qualquer aumento das possibilidades de contracepção é sempre uma vantagem.

O FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, similar à Anvisa no Brasil) aprovou nesta sexta-feira, 13 de agosto, a venda do medicamento Ella, para contracepção de emergência. A pílula já é aprovada e comercializada na Europa há mais tempo.
O princípio ativo da nova pílula é o acetato de ulipristal. Os opositores à sua aprovação dizem que a substância é quimicamente semelhante a uma droga que pode interromper a gravidez de até nove semanas, portanto considerada abortiva. O acetato de ulipristal funciona como um antagonista do hormônio feminino progesterona. Ele funciona no organismo como um "inibidor ou retardante da ovulação".

Uma pesquisa publicada no Lancet mostrou que o novo anticoncepcional de emergência é mais eficaz do que a pílula do dia seguinte mais antiga, à base de levonorgestrel, já aprovado em cerca de 140 países, incluindo o Brasil.Os defensores da "pílula dos cinco dias seguintes" afirmam não haver evidência de que ela tenha ação abortiva. Na pesquisa com a droga, feita com quase 1.700 mulheres entre 16 e 36 anos, as participantes só tomaram a pílula em um período máximo de cinco dias após uma relação sexual desprotegida.Entre as mulheres que usaram a nova pílula, apenas 1,8% engravidou; no grupo que tomou a pílula do dia seguinte mais antiga, à base de levonorgestrel, 2,6% engravidaram.

O produto é administrado por via oral e tem efeito se tomado até cinco dias da relação sexual desprotegida ou falha de método contraceptivo. O comunicado do órgão regulador norte-americano alerta que o uso da droga "não é um método contraceptivo, mas, sim, um medicamento para emergências".

Um comitê do FDA discutia a liberação da droga desde junho. A utilização foi aprovada dia 13 por unanimidade de votos após estudos terem fornecido "dados convincentes sobre a eficácia e a segurança da indicação do medicamento como um anticoncepcional de emergência", diz comunicado do FDA.

Os efeitos colaterais mais frequentes observados após a utilização do Ella nos ensaios clínicos foram dor de cabeça, náusea, dor abdominal, desconforto durante a menstruação, fadiga e tontura, semelhante ao contraceptivo de emergência -- já aprovado pelo FDA-- levonorgestrel.

O Ella é fabricado pela Paris Laboratoire HRA Pharma e será distribuído nos Estados Unidos pela Watson Pharma Inc.

A comercialização deste novo fármaco foi autorizada em Maio de 2009 pela Agência Europeia do Medicamento (EMEA) e a França foi o primeiro país a comercializá-lo.

A ellaOne já é usada na Europa e, com a aprovação da FDA pode, também, entrar no mercado de contraceptivos nos EUA. Resta saber quando, e se, o Brasil irá comercializar a pílula.

O importante é sempre ter em mente que, antes de pensar em pílula do dia seguinte, o melhor mesmo é prevenir com responsabilidade.

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